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Em relatório final, CPI da Merenda sugere mais rigor em subcontratação

Em relatório final, CPI da Merenda sugere mais rigor em subcontratação

Relatório final da CPI da Merenda foi apresentado na tarde desta quinta-feira (4) - Foto: Fabrice Desmonts

A CPI da Merenda sugere, em seu relatório final, maior rigor na fiscalização das empresas que são subcontratadas para o cumprimento de contratos firmados junto ao poder público. O documento foi apresentado na tarde desta quinta-feira (4), na Câmara Municipal de Piracicaba, e agora será encaminhado ao Ministério Público, que, caso entenda necessário, pode abrir um inquérito para apurar possíveis irregularidades no contrato firmado entre a Nutriplus e a Prefeitura, o que motivou a investigação feita no Legislativo.

“Não temos objeção ao fato de que qualquer empresa venha a ter relacionamento comercial e preste serviços públicos, a partir de contratos firmados com a Prefeitura ou com qualquer órgão de governo. Mas é preciso que elas sejam fiscalizadas com rigor, para evitar que problemas como o que ocorreram na cidade, voltem a acontecer”, avaliou o relator da CPI da Merenda, vereador Acácio Godoy (PP), vice-presidente da Câmara.

O relatório da CPI aponta que, a partir da análise e cruzamentos de dados – obtidos por depoimentos de funcionários, diretores da empresa Nutriplus, em diligências nos endereços das empresas subcontratadas e leitura do contrato com a Prefeitura – “há falhas no processo de fiscalização, assim como no acompanhamento das questões contratuais”, assinala.

Foram apontadas recomendações ao Executivo, como a exigência de capacidade técnica e financeira para subcontratação, “que deve ser objeto de atenção por parte do administrador” e ainda destaca que é “inadmissível a ‘quarteirização’ das parcelas tecnicamente mais complexas ou de valor mais significativo” do serviço que foi contratado. Também sugere a criação de cláusula no edital que traga a obrigatoriedade de visitas técnicas periódicas tanto às empresas licitantes quanto às subcontratadas.

O relatório analisa que existe, no formato do edital para contratação da merenda, “uma grande facilidade para que pessoas sem vínculo e sem capacidade operacional e financeira” assumam o controle de empresas “sem que ninguém se manifeste sobre isso, a fim de assumir parte de contratos de prestação de serviços controlados pela empresa licitante”.

Para evitar que isso ocorra, a CPI sugere ao Executivo que seja exigida documentação social e técnica de todas as empresas subcontratadas, e que realize inspeções nas sedes e/ou filiais e, ainda, crie cláusula para explicitar no edital que, para a ‘quarteirização’, deve haver como objeto a comprovação técnica de 30% do exigido para a empresa licitante.

Contra o uso excessivo de aditamentos de contratos, a CPI também recomenda fixar no ordenamento interno que o pregão para licitação do objeto fique aderente para o período de três meses antes do final do prazo de 60 meses. “Ao constatar 56 meses de contratação de prestação de serviços, a Administração terá o dever de publicar em Diário Oficial uma nova concorrência”, detalha o relatório final da comissão.

A recomendação encaminhada pela CPI à Administração Municipal também envolve instituir processos para adequar o volume de celebração de parcerias à capacidade gerencial e operacional do poder público para avaliar as empresas contratadas. Indica, ainda, aos conselhos de Educação e de Segurança Alimentar que apresentem aos órgãos e instituições públicas sugestões para se melhorar os editais e contratos de licitações.

TRABALHISTAS – No relatório final, a CPI da Merenda detalha que, até 27 de setembro deste ano, apurou 103 demandas judiciais trabalhistas nas quais a Nutriplus integrava o polo passivo como devedora principal ou devedora solidária de alguma outra subcontratada. O diretor da empresa, Ignácio de Moraes Júnior, informou já terem sido pactuados acordos de 26 das ações ajuizadas, num total de R$ 167.390,00.

O empresário ainda notificou a comissão parlamentar sobre a absorção das empresas Alimentare e Sapore pela própria Nutriplus, de modo a assegurar o pagamento aos credores por parte das subcontratadas com o patrimônio da empresa licitante.

Em diligência, a comissão também verificou, junto à Justiça do Trabalho, a programação de um futuro mutirão de conciliação a ser realizado exclusivamente para os credores da Nutriplus, com o objetivo de acelerar os pagamentos das dívidas.

O presidente da CPI, vereador Cássio Luiz Barbosa, o Cássio “Fala Pira” (PL), destacou a atuação dos assessores dos parlamentares. “Eu quero agradecer a dedicação de todos para fazer um trabalho de excelência”, definiu.

Membro da CPI, vereador Paulo Camolesi (PDT), também enfatizou o volume de informações assimiladas no âmbito dos trabalhos. “Tivemos apoio dos servidores da Casa, o que foi fundamental”, disse, ao destacar a atuação da chefe do Departamento Jurídico e de Transparência, Laura Checoli, e o servidor do Legislativo, Sandro Silveira.

Com a conclusão do relatório e o envio ao Ministério Público, a comissão agora se organiza para pedir a suspensão do expediente dos trabalhos legislativos durante reunião ordinária para fazer a leitura do documento aos outros parlamentares, em data ainda a ser definida.

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