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EX-DIRETOR-GERAL DA FAZENDA DE SP É PRESO EM PIRACICABA POR SUSPEITA DE ENVOLVIMENTO EM ESQUEMA DE CORRUPÇÃO

André Weiss foi preso no bairro São Dimas; investigação apura cobrança de propina para facilitar processos de créditos tributários

EX-DIRETOR-GERAL DA FAZENDA DE SP É PRESO EM PIRACICABA POR SUSPEITA DE ENVOLVIMENTO EM ESQUEMA DE CORRUPÇÃO

Foto: 10º BAEP

O ex-diretor-geral da Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo, André Weiss, foi preso nesta quinta-feira (3), em Piracicaba (SP), durante a Operação Caldarium, do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo créditos de ICMS. A prisão aconteceu em um imóvel no Bairro São Dimas.

A operação contou com apoio do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (10º BAEP). As equipes do GAECO e do 10º BAEP também realizaram buscas em um imóvel no Condomínio Residencial Reserva do Engenho.

Durante as buscas em Piracicaba, foram apreendidos R$ 385 mil em dinheiro, 1.400 euros e 862 dólares em espécie, além de armas, munições, carregadores, equipamentos eletrônicos e documentos.

Ao todo, foram apreendidas três armas de fogo, 80 munições e três carregadores. Também foram recolhidos quatro notebooks, um iPad, três celulares, dois pen drives, cinco pastas de documentos, um caderno de contabilidade e outros documentos relacionados à investigação.

 Foto: 10º BAEP

Weiss foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Piracicaba, onde permaneceu preso à disposição da Justiça. As armas, munições e carregadores apreendidos pelo 10º BAEP também foram apresentados à autoridade policial.

OPERAÇÃO CALDARIUM

A Operação Caldarium foi deflagrada nesta quinta-feira (3) pelo Ministério Público de São Paulo. Na operação realizada pelo GAECO de Piracicaba, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão.

A investigação é um desdobramento da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025, e apura a atuação de um grupo suspeito de praticar corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes tributárias.

 Foto: 10º BAEP

A operação também teve ações em outras cidades de São Paulo e em Mato Grosso do Sul.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

De acordo com as investigações, o grupo teria usado processos legítimos de recuperação de créditos tributários para negociar vantagens indevidas.

A suspeita é de que profissionais particulares procuravam grandes empresas e ofereciam facilidades para a liberação de créditos de ICMS. Parte dos valores pagos seria repassada a agentes públicos.

Segundo o MPSP, a propina cobrada chegava a 10% do valor do crédito de ICMS a ser pago às empresas.

O QUE A INVESTIGAÇÃO APURA

O Ministério Público investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As apurações indicam que o esquema teria envolvido diferentes níveis da estrutura da Secretaria da Fazenda, inclusive pessoas que ocupavam cargos de chefia.

Segundo o MPSP, um dos investigados teria movimentado cerca de R$ 13,6 milhões em valores apontados como propina entre 2021 e 2025.

A investigação reúne informações obtidas por meio de delação premiada, gravações, quebras de sigilo bancário e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A SECRETARIA DA FAZENDA

Procurada pela equipe do Grupo Metropolitana, a Secretaria da Fazenda enviou a seguinte nota. Leia na íntegra 👇

“Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração. Até o momento, 45 auditores fiscais são investigados pela Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp), dentre eles, todos os envolvidos na operação desta quinta-feira (3).

As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros. Como também estão sujeitas a autuação da Controladoria Geral do Estado (CGE-SP), com base na Lei Anticorrupção.

A Sefaz revisou todos os processos internos relacionados à substituição tributária, adotando o fim dessa forma de tributação como solução definitiva para a complexidade explorada na prática dos desvios, sem prejuízo da adoção de malhas fiscais com uso de inteligência artificial e estruturação de um sistema próprio de mapeamento do processo de ressarcimento.

Já foram retirados mais de 62% dos produtos sujeitos ao regime, simplificando a complexidade tributária e encerrando o ciclo de ressarcimento de créditos.

Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.

A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares.”

Por: Da redação

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